Praia

Mais um ano sem águas para banho

Conforme o último boletim divulgado pela Fepam, a alternativa, por enquanto, é aproveitar o Calçadão e as areias das praias do Laranjal

Jô Folha -

Com a chegada das altas temperaturas o desejo por uma praia para se refrescar é quase unânime. Porém, o pelotense que pretende aproveitar o Laranjal já sabe que está limitado entre o Calçadão e a faixa de areia, pois todo ano a confirmação se repete: águas impróprias para banho. O terceiro boletim do projeto Balneabilidade temporada 2020/2021 mostrou que dos 90 pontos monitorados no Estado, 11 estão impróprios - oito deles nas praias do Laranjal.

No início de cada semana, uma equipe do Sanep coleta amostras em oito pontos da praia. Após as análises, a divulgação dos resultados é feita pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). Para autorizar a condição de banho, as análises levam em conta as últimas cinco semanas. De acordo com a diretora-presidente da autarquia, Michele Alsina, as águas do Laranjal acabam se tornando impróprias por diversos fatores. Entre eles, o canal São Gonçalo correr todo para a praia - ao longo do seu curso ele recebe boa parte dos dejetos de residências que não possuem coleta.

Entretanto, ela afirma que por mais que um tratamento de esgoto ajude na questão, é necessário um plano efetivo que busque a solução do esgotamento sanitário da cidade. “Estamos estudando o melhor formato para executar essa intervenção, que custa cerca de R$ 400 milhões”, disse. Ela explica ainda que o esgotamento sanitário está constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, tratamento e disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente.

Ações que estão sendo feitas pelo Sanep e virão a ajudar nessa questão são as obras da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Novo Mundo. Ela está localizada na avenida Francisco Caruccio, Zona Norte do município, e promete tratar cem litros de esgoto por segundo, se tornando um importante passo para a universalização do saneamento básico de Pelotas. Outro ponto destacado por Michele é a segunda etapa das ligações de esgotos nas residências, que prevê mais 1,4 mil beneficiados. Na primeira fase, 15 quilômetros de redes coletoras foram construídas para 1,2 mil casas.

Todo ano o mesmo cenário

A professora do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária e da Pós Graduação em Ciências Ambientais do Centro de Engenharias da Universidade Federal de Pelotas, Rubia Romani, explica que a solução é a implementação de obras e técnicas de engenharia para a coleta, tratamento e disposição final adequados dos efluentes domésticos, como forma de garantir que estes não sejam lançados, sem tratamento, nos balneários de Pelotas.

Ela explica que a água só estará apta para receber os banhistas quando houver, no máximo, mil Coliformes Termotolerantes ou 800 Escherichia coli por cem mililitros. “Estes são indicadores microbiológicos da presença de efluente doméstico sem tratamento e, portanto, a exposição direta e prolongada ao corpo hídrico pode conferir risco à saúde humana”, completou. Essas bactérias que servem de indicadores chegam nas águas através do esgoto doméstico, ou seja, o problema começará a ser resolvido quando houver coleta para todas as residências. Outro alerta feito pela docente é sobre o cuidado que os veranistas precisam ter com a areia dos balneários que estão com as águas impróprias, pois a chance dela também estar contaminada é grande, o que pode causar problemas de saúde aos que estiverem usufruindo do local.

Praia com segurança

Mesmo com o verão e as férias sendo os protagonistas de janeiro é importante salientar que a pandemia da Covid-19 não acabou. No último decreto foi ordenado que apenas grupos de coabitantes e com distanciamento de dois metros circulassem em locais públicos. 

Mesmo não havendo especificações exclusivas sobre o distanciamento na faixa de areia, o epidemiologista e reitor da UFPel, Pedro Hallal, recomenda que os dois metros sejam seguidos em qualquer ambiente, até mesmo na beira da praia. E mesmo que o calor torne o uso desconfortável, a medida mais efetiva é o uso de máscaras. “São as principais dicas para se manter seguro”, frisou Hallal.

 

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